26 fevereiro, 2017

TRIATLETA DO IRONMAN, 78 ANOS, APLAUDE A DIETA LOW-CARB PALEO CETOGÊNICA

Jay Lehr tem seguido uma dieta pobre em carboidratos 
e rica em gorduras por toda a sua vida


Dr. Jay Lehr é um triatleta do Ironman de 78 anos de idade, que credita uma dieta LCHF cetogênica paleo por sua incrível saúde.

Lehr, diretor de ciências do Instituto Heartland em Chicago, fugiu das dietas da sabedoria convencional pela maior parte da sua vida, seguiu uma dieta LCHF e raramente fica doente - reporta o Jornal High Plains.

"Eu nunca estive dentro do consultório de um médico", disse ele. "Vivi a minha vida inteira em uma dieta rica em gordura - laticínios, ovos, manteiga e banha - que, como vocês bem sabem, não tem sido recomendada pelos últimos 50 anos".

Lehr diz que a idéia de que gordura saturada não é saudável e causa ataques cardíacos começou no meio dos anos 50, logo após o Presidente Dwight Eisenhower sofrer um infarto.

Os famosos médicos de Eisenhower o colocaram em uma dieta pobre em gorduras, seguindo um estudo controverso feito pelo professor de nutrição Ancel Keys, que bradava os supostos beneíficios de saúde de uma dieta low-fat.

Desde então, o governo americano continuou a promover dietas low-fat para tratar doença cardíaca e obesidade, apesar das evidências científicas não mostrarem nenhum link entre gordura saturada não-processada e infartos.

Lehr, aluno da Universidade Princeton e PhD em hidrologia, disse que é hora de o público abraçar os benefícios à saúde das dietas LCHF tais como a cetogênica, Paleo e Atkins.

Triatleta com 13 participações no Ironman, ele disse que prospera fisicamente com uma dieta de carne vermelha, gordura saturada, laticínios, ovos, manteiga e banha.

"Gordura saturada não processada não é danosa à saúde"

Felizmente, a maré está virando, à medida que o acúmulo de evidência científica suporta os benefícios das dietas LCHF.

Em seu livro The Big Fat Surprise, a jornalista investigativa Nina Teicholz diz a verdadeira causa da obesidade, doença cardiovascular, colesterol alto e diabetes é uma dieta rica em carboidratos, especialmente uma rica em açúcar.

"Gordura em geral - e gordura saturada em especial - veio a ser culpada de causar doença cardíaca, obesidade e câncer", disse Teicholz em uma entrevista com o Dr. Frank Lipman, especialista em obesidade e autor de Revive.

"Eventualmente esta crença infundada tornou-se entranhada como nosso dogma nacional. Gordura saturada não é realmente ruim para a sua saúde. Os ensaios mais rigorosos sobre dieta claramente mostram que uma dieta LCHF é melhor para combater a obesidade, diabetes e doença cardíaca".

Nina tirou suas conclusões após conduzir uma investigação de 9 anos. Ela disse que a antiga crença de que gordura saturada é danosa deriva de pesquisa científica falha, especificamente do "Estudo dos 7 países" conduzido pelo cientista vegetariano Ancel Keys.

Em 1958, Keys proclamou que uma dieta rica em gordura causava doença cardiovascular após concluir que as nações com taxas mais altas da doença consumiam mais gordura.

Análises posteriores revelaram que Keys escolheu a dedo os seus dados, deixando de fora países onde as pessoas comiam uma dieta rica em gordura mas não tinham doença cardíaca, bem como países onde a taxa de doença cardíaca era alta apesar da dieta pobre em gordura.

Mas uma mudança profunda está a caminho, à medida que mais especialistas médicos rejeitam o dogma da dieta pobre em gordura promovido pela sabedoria convencional, e suportam os benefícios à saúde de uma dieta LCHF tais como a cetogênica e a Atkins.

Dietas LCHF promovem perda de peso e previnem câncer


O Dr. Jeff Volek, professor da Universidade de Connecticut, é um pioneiro do movimento LCHF e diz que dietas desse tipo promovem saúde otimizada, tanto para atletas de elite quanto para o indivíduo mediano, sedentário.

Ao reduzir drasticamente os carboidratos na nossa dieta e trocá-los por gorduras saudáveis, não processadas, o Dr. Volek disse que aceleramos a perda de peso, aumentamos a queima de gordura, experimentamos níveis de glicemia mais estáveis e evitamos condições degenerativas tais como doença cardíaca, obesidade, demência e diabetes.

"A restrição de carboidratos é a 'bala de prata' proverbial, para controlar a resistência à insulina, síndrome metabólica e diabetes tipo 2" - o Dr. Volek me disse.

Como a gordura dietária tem impacto irrisório na insulina, ela não produz picos na nossa glicemia e insulina da maneira que os carboidratos fazem. Mais importante, gorduras não-processadas não alimentam inflamações, que causam envelhecimento e levam à obesidade, doença cardíaca, diabetes, Alzheimer e mesmo câncer.

O oncologista Dr. Thomas Seyfried recentemnete me disse que dietas LCHF cetogênicas provaram-se mais efetivas que drogas em evitar ataques epiléticos. E ainda mais, a dieta cetogênica pode prevenir e controlar o câncer, porque este é uma doença metabólica e as células cancerígenas florescem com açúcar.

"Humanos evoluíram em um estado de cetose nutricional"


Enquanto a idéia de consumir mais gordura dietária pode soar chocante dado o mantra de pouca gordura que domina a dieta americana padrão, o Dr. Volek diz que na verdade nós evoluímos para nos aproveitarmos de uma dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras.

"Por cerca de 98% da história humana, comemos low-carb", disse o Dr. Volek, autor de The Art and Science of Low Carbohydrate Living. “Nós evoluímos em um estado de cetose nutricional.”

Comer mais gorduras saudáveis e menos carboidratos também tem efeitos neuroprotetores, diz o neurologista Dr. David Perlmutter, autor de Grain Brain. De acordo com Perlmutter, podemos evitar - e mesmo reverter - demência, TDAH e doença de Alzheimer ao seguir uma dieta paleo low-carb, sem glúten.

"A idéia de que as pessoas ficam nutricionalmente deficientes porque não comem grãos, não tem base científica", ele me disse.

"Carboidratos são devastadores para o cérebro. 'Grain Brain' lembra bastante a dieta paleo, que imita os hábitos alimentares de nossos ancestrais e é composta de comidas que as pessoas tem comido há 2 milhões de anos - principalmente plantas, frutas e carne".

Comer gordura não te faz engordar


Teicholz, uma ex-vegetariana, viu o resultado positivo que uma dieta LCHF sobre sua própria saúde. Ela lutava para perder peso com dietas de pouca gordura, mas foi capaz de perder 4.5kg sem exercícios simplesmente ao aumentar o consumo de gorduras saudáveis e reduzir a ingestão de carboidrato.

Nina ecoa os sentimentos do jornalista científico Gary Taubes, que argumentou que a gordura foi erroneamente culpada pela obesidade e outras doenças pelos últimos 40 anos. Taubes detalhou a pesquisa em seu bestseller Why We Get Fat.

Com novos relatórios confirmando que gordura não-processada é boa para você, o Dr. Volek está confiante de que mais pessoas vão abraçar o plano de alimentação LCHF e tomar o controle da própria saúde através da dieta.

"É uma época excitante", disse o Dr. Volek, co-autor de A New Atkins For a New You. "Há um bocado de energia se movimentando. Eu acho que o pêndulo está oscilando na direção correta".

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

Fonte: Paleodiario

12 julho, 2015

Sensibilidade ao Glúten na Ausência de Doença Celíaca


N Imran Aziz, Marios Hadjivassiliou, David S Sanders

Pacientes que apresentam sintomas relacionados ao glúten na ausência de marcadores da doença são um dilema diagnóstico para gastrenterologistas, clínicos gerais e nutricionistas.

A doença celíaca é um distúrbio inflamatório crônico do intestino delgado que afeta 1% da população.1 A condição pode ser definida como um estado de resposta imunológica intensificada ao glúten ingerido (de trigo, cevada e centeio) em indivíduos geneticamente suscetíveis.2 O padrão-ouro do diagnóstico da doença celíaca é a demonstração de atrofia de vilosidades em biópsias duodenais, com sorologia celíaca (anticorpos antiendomísio e antitransglutaminase tecidual) tendo um papel de apoio.2,3 O pilar do tratamento da doença celíaca é a adesão vitalícia a uma rigorosa dieta livre de glúten, que leva a melhorias no desfecho clínico, no bem-estar psicológico e na qualidade de vida para a maioria dos pacientes.2
No entanto, o número de pacientes que consome uma dieta livre de glúten parece, em grande parte, fora de proporção em relação ao número projetado de pacientes com doença celíaca. Comerciantes estimam que 15-25% dos consumidores norte-americanos querem alimentos livres de glúten,4,5 embora dados recentemente publicados dos Estados Unidos e da Nova Zelândia sugiram que isso possa ser uma superestimativa.6,7 Não obstante, esse agora é um “grande negócio”, e a Reuters projeta um aumento nos lucros do mercado de alimentos livres de glúten nos Estados Unidos de US$1,31 bilhão (£0,8 bilhão) em 2011 para US$1,68 bilhão até 2015.8 Paralelamente, um crescente problema encontrado na prática clínica é o diagnóstico e o manejo de pacientes que reclamam de sintomas relacionados ao glúten na ausência de marcadores diagnósticos de doença celíaca, como sorologia celíaca negativa e biópsias duodenais normais. Esses pacientes representam um dilema diagnóstico para gastrenterologistas, clínicos gerais e nutricionistas e, no passado, foram descritos como pertencentes a uma “terra de ninguém” devido à incerteza do diagnóstico.9
Quais são as evidências da incerteza?
Uma pesquisa no PubMed (“coeliac disease”) produziu mais de 18.000 citações, com apenas 170 citações do PubMed a trabalhos sobre sensibilidade ao glúten na ausência de doença celíaca. Limitamos nossa busca a revisões sistemáticas, séries de casos, estudos de caso-controle e ensaios clínicos controlados randomizados realizados em adultos.

Sintomas relacionados ao glúten em pacientes sem doença celíaca

Existem dados observacionais de pacientes que relatam sintomas relacionados ao glúten, mas sem evidências de doença celíaca. Por exemplo, em uma série prospectiva de 94 adultos que relataram sintomas abdominais após a ingestão de cereal, 63% dos participantes do estudo não apresentavam doença celíaca ou alergia a cereais nos exames histológicos ou imunológicos.10 Apesar disso, esses indivíduos beneficiaram-se sintomaticamente de uma dieta livre de glúten, embora a dieta não tenha sido testada em um grupo separado de 30 controles. Historicamente, também tem sido observado que parece haver um aumento na prevalência de anticorpos antigliadina naqueles que reclamam de sintomas relacionados ao glúten (40%)10 e em pacientes com síndrome do intestino irritável (17%)11 em comparação a controles saudáveis (12%),1 apesar da exclusão de doença celíaca através de biópsias duodenais normais e testes negativos para anticorpos antiendomísio e antitransglutaminase tecidual.
Um grande estudo cruzado, duplo-cego e controlado por placebo demonstrou recentemente a existência de sensibilidade ao trigo em pacientes sem doença celíaca: 920 pacientes com sintomas de síndrome do intestino irritável foram submetidos a uma dieta de eliminação padrão de quatro semanas (trigo, leite de vaca, ovos, tomate, chocolate e qualquer outra hipersensibilidade alimentar conhecida) e então a um desafio cruzado com um período de washout de uma semana.12 Um terço dos pacientes (n=276) apresentou sensibilidade clínica e estatisticamente significativa ao trigo e não ao placebo, com piora da dor abdominal, distensão abdominal e consistência das fezes. As evidências, portanto, sugerem que, mesmo na ausência de doença celíaca, produtos à base de glúten podem induzir sintomas abdominais que se apresentam como síndrome do intestino irritável.
O reconhecimento de que as reações ao glúten não se limitam à doença celíaca levou ao desenvolvimento de um documento de consenso em 2012 entre um grupo de 15 especialistas internacionais. Sugeriu-se uma nova nomenclatura e classificação, com três condições induzidas pelo glúten – doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten não celíaca.13 A definição de doença celíaca é mencionada acima. A alergia ao trigo é definida como uma reação imunológica adversa às proteínas do trigo mediada por IgE – pode apresentar-se com sintomas respiratórios (“asma do padeiro” ou rinite, mais comum em adultos), alergia alimentar (sintomas gastrintestinais, urticária, angioedema ou dermatite atópica; principalmente em crianças) e urticária de contato. Os testes para alergia ao trigo incluem dosagem sérica de IgE ou testes cutâneos para o trigo. A sensibilidade ao glúten não celíaca é uma forma de intolerância ao glúten quando a doença celíaca e a alergia ao trigo foram excluídas.13
A prevalência de sensibilidade ao glúten não celíaca foi relatada em 6% com base na experiência da clínica Maryland (onde, entre 2004 e 2010, 5.896 pacientes consultaram, sendo que 347 atenderam aos critérios para sensibilidade ao glúten não celíaca).13 Contudo, a verdadeira prevalência na população geral é desconhecida. Além disso, não existem biomarcadores específicos para identificar a sensibilidade ao glúten não celíaca, e o desfecho a longo prazo para esses pacientes não é conhecido.

Sensibilidade ao glúten não celíaca é uma expressão genérica e pode incorporar uma grande variedade de possíveis aspectos clínicos.14 Dados da clínica Maryland (n=347)13 e uma avaliação de 78 pacientes italianos com sensibilidade ao glúten não celíaca15 mostram que os indivíduos podem associar a ingestão de glúten a sintomas intestinais como desconforto abdominal, distensão abdominal, dor e diarreia (também consistentes com a síndrome do intestino irritável) ou a uma variedade de sintomas extraintestinais, como dores de cabeça, “mente nebulosa”, depressão, fadiga, dores musculoesqueléticas e erupções cutâneas. Algumas investigações têm sugerido que, embora os pacientes com doença celíaca demonstrem uma resposta imune inata (inespecífica) e outra adaptativa (específica, mediada por células T e anticorpos) à exposição ao glúten, aqueles com sensibilidade ao glúten não celíaca parecem demonstrar apenas uma resposta inata.16,17 A tabela resume o espectro de distúrbios relacionados ao glúten.
Glúten versus outros componentes do trigo
Também há incerteza sobre se é a retirada do glúten especificamente que beneficia os pacientes, ou se outro componente do trigo é o culpado. A opinião de especialistas8,18 e um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo com repetição do desafio,19 sugerem que os frutanos fermentáveis (carboidratos presentes no trigo) podem provocar sintomas gastrintestinais em pacientes com síndrome do intestino irritável. Assim, a retirada do glúten pode, inadvertidamente, estar reduzindo a ingestão de frutanos, que interagem com a microbiota intestinal, havendo produção de gases e fermentação.8,18,19 As evidências atuais que indicam a retirada de oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (FODMAPs) fermentáveis para síndrome do intestino irritável podem sobrepor-se a uma dieta livre de glúten.20,21
Recentemente, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com repetição do desafio avaliou 34 pacientes com síndrome do intestino irritável nos quais a doença celíaca foi excluída e que haviam tido seus sintomas controlados com uma dieta livre de glúten. Em um período de seis semanas, um número significativamente maior do grupo exposto a produtos contendo glúten, mas especificamente preparados livres de FODMAPs (e, portanto, de frutanos) relatou uma deterioração clinicamente significativa dos sintomas, incluindo dor abdominal, distensão abdominal, satisfação com a consistência das fezes e cansaço.22 Os indivíduos não apresentaram evidências de inflamação ou danos intestinais ao serem desafiados com glúten e, assim, nenhuma pista sobre o mecanismo fisiopatológico envolvido foi obtida. Embora o número de participantes nesse estudo fosse pequeno, os resultados sugerem que o glúten propriamente pode induzir sintomas gastrintestinais em indivíduos com sensibilidade ao glúten não celíaca. Estudos multicêntricos maiores ajudariam a substanciar esses achados e talvez delinear melhor a sensibilidade dos pacientes ao glúten e aos frutanos.


As pesquisas em andamento fornecerão evidências relevantes?
Uma busca no metaRegister of Controlled Trials (www.controlled-trials.com/mrct/) e no banco de dados ClinicalTrials.gov dos Estados Unidos (www.clinicaltrials.gov/) encontrou um estudo relevante – um ensaio clínico multicêntrico que está recrutando voluntários sensíveis ao glúten sem doença celíaca. Os pacientes receberão uma dieta livre de glúten por duas semanas e então serão randomizados  (duplo-cego) a uma dieta por duas semanas com glúten ou placebo, seguida por uma dieta livre de glúten por mais duas semanas. Os desfechos primários são os escores de sintomas globais, enquanto os desfechos secundários são os possíveis marcadores que possam diferenciar a sensibilidade ao glúten não celíaca da doença celíaca (sorológicos, função de barreira do intestino, imunológicos e expressão de proteínas constitutivas de junções oclusivas). As recomendações para pesquisas futuras estão relacionadas no quadro ao lado.

O que devemos fazer à luz da incerteza?

Com o aumento do consumo mundial da “dieta mediterrânea”, os médicos estão cada vez mais expostos a pacientes com distúrbios relacionados ao glúten. Para pacientes que relatam intolerância ao trigo ou sensibilidade ao glúten, exclua doença celíaca (com anticorpos antiendomísio e/ou antitransglutaminase tecidual e biópsias duodenais em uma dieta contendo glúten) e alergia ao trigo (dosagem sérica de IgE ou teste cutâneo para trigo). Os pacientes com resultados negativos devem ser diagnosticados com sensibilidade ao glúten não celíaca. Eles se beneficiam sintomaticamente com uma dieta livre de glúten, mas devem ser informados de que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma entidade clínica reconhecida há pouco tempo, cujo curso natural e cuja fisiopatologia ainda não são totalmente compreendidos.
  • Imran Aziz,1 Marios Hadjivassiliou,2 David S Sanders1
1 Departamento de Gastrenterologia, Royal Hallamshire Hospital, Sheffield S10 2JF, Reino Unido
Departamento de Neurologia, Royal Hallamshire Hospital, Sheffield
Correspondência para: Aziz imran.aziz@sth.nhs.uk
Colaboradores: todos os autores redigiram o texto e aprovaram a versão final. DSS é o avalista do artigo.
Conflitos de interesse: todos os autores preencheram o formulário unificado de conflitos de interesse em www.icmje.org/coi_disclosure.pdf (disponível após solicitação do autor correspondente) e declaram que: não receberam nenhum apoio financeiro para o trabalho submetido; DSS recebeu uma bolsa de estudos de Dr. Schär (um fabricante de alimentos livre de glúten) para realizar pesquisas sobre a sensibilidade ao glúten; os autores não mantêm outras relações ou exercem atividade que possam ter influenciado o trabalho submetido.
Procedência: contribuição espontânea.
Revisão por pares: externa.

Referências
1 Sanders DS, Patel D, Stephenson TJ, Ward AM, McCloskey EV, et al. A primary care cross-sectional study of undiagnosed adult coeliac disease. Eur J Gastroenterol Hepatol 2003;15:407-13.
2 Hopper AD, Hadjivassiliou M, Butt S, Sanders DS. Adult coeliac disease. BMJ 2007;335:558-62.
3 Hopper AD, Cross SS, Hurlstone DP, McAlindon ME, Lobo AJ, et al. Pre-endoscopy serological testing for coeliac disease: evaluation of a clinical decision tool. BMJ 2007;334:729.
4 Painter K. Gluten-free diets gaining in popularity. USA Today 2008 Aug 17.
5 Di Sabatino A, Corazza GR. Nonceliac gluten sensitivity: sense or sensibility? Ann Intern Med  2012;156:309-11.
6 Rubio-Tapia A, Ludvigsson JF, Brantner TL, Murray JA, Everhart JE. The prevalence of celiac disease in the United States. Am J Gastroenterol 2012;107:1538-44
7 Tanpowpong P, Ingham TR, Lampshire PK, Kirchberg FF, Epton MJ, et al. Coeliac disease and gluten avoidance in New Zealand children. Arch Dis Child 2012;97:12-6.
8 Ferch CC, Chey WD. Irritable bowel syndrome and gluten sensitivity without celiac disease: separating the wheat from the chaff. Gastroenterology 2012;142:664-6.
9 Verdu EF, Armstrong D, Murray JA. Between celiac disease and irritable bowel syndrome: the “no man’s land” of gluten sensitivity. Am J Gastroenterol 2009;104:1587-94.
10 Kaukinen K, Turjanmaa K, Mäki M, Partanen J, Venäläinen R, et al. Intolerance to cereals is not specific for coeliac disease. Scand J Gastroenterol 2000;35:942-6.
11 Sanders DS, Carter MJ, Hurlstone DP, Pearce A, Ward AM, et al. Association of adult coeliac disease with irritable bowel syndrome: a case-control study in patients fulfilling ROME II criteria referred to secondary care. Lancet 2001;358:1504-8.
12 Carroccio A, Mansueto P, Iacono G, Soresi M, D’Alcamo A, et al. Non-celiac wheat sensitivity diagnosed by double-blind placebocontrolled challenge: exploring a new clinical entity. Am J Gastroenterol (forthcoming).
13 Sapone A, Bai JC, Ciacci C, Dolinsek J, Green PH, et al. Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification. BMC Med 2012;10:13.
14 Volta U, De Giorgio R. New understanding of gluten sensitivity. Nat Ver Gastroenterol Hepatol 2012;9:295-9.
15 Volta U, Tovoli F, Cicola R, Parisi C, Fabbri A, Piscaglia M, et al. Serological tests in gluten sensitivity (nonceliac gluten intolerance). J Clin Gastroenterol 2012;46:680-5.
16 Sapone A, Lammers KM, Mazzarella G, Mikhailenko I, Cartenì M, et al. Differential mucosal IL-17 expression in two gliadin-induced disorders: gluten sensitivity and the autoimmune enteropathy celiac disease.     Int Arch Allergy Immunol 2010;152:75-80.
17 Sapone A, Lammers KM, Casolaro V, Cammarota M, Giuliano MT, et al. Divergence of gut permeability and mucosal immune gene expression in two gluten-associated conditions: celiac disease and gluten sensitivity. BMC Med 2011;9:23.
18 Pimentel M, Chang C. Inflammation and microflora. Gastroenterol Clin North Am 2011;40:69-85.
19 Shepherd SJ, Parker FC, Muir JG, Gibson PR. Dietary triggers of abdominal symptoms in patients with irritable bowel syndrome: randomized placebo-controlled evidence. Clin Gastroenterol Hepatol 2008;6:765-71.
20 Biesiekierski JR, Rosella O, Rose R, Liels K, Barrett JS, Shepherd SJ,     et al. Quantification of fructans, galacto-oligosacharides and other shortchain carbohydrates in processed grains and cereals. J Hum Nutr Diet 2011;24:154-76.
21 Barrett JS, Gibson PR. Fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols (FODMAPs) and nonallergic food intolerance: FODMAPs or food chemicals? Therap Adv Gastroenterol 2012;5:261-8.
22 Biesiekierski JR, Newnham ED, Irving PM, Barrett JS, Haines M, Doecke JD, et al. Gluten causes gastrointestinal symptoms in subjects without celiac disease: a double-blind randomized placebo-controlled trial.     Am J Gastroenterol 2011;106:508-14.
Fonte: Fenacelbra ( fenacelbra.com.br )
http://www.grupoa.com.br/revista-bmj/artigo/8507/sensibilidade-ao-gluten-na-ausencia-de-doenca-celiaca.aspx



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25 agosto, 2013

Glicemia elevada aumenta o risco do desenvolvimento de demência

Data:            23/08/2013
Autor(a):       Rita de Cássia Borges de Castro
Fotógrafo:    Rita C. B. Castro

Pesquisa publicada na revista The New England Journal of Medicine (NEJM) demonstrou que os níveis de glicose sanguínea (glicemia) mais elevados podem ser um fator de risco para o desenvolvimento de demência, em indivíduos diabéticos e não diabéticos.

Trata-se de um estudo prospectivo que teve o objetivo de testar a hipótese de que os níveis de glicose sanguínea estão associados com o risco de demência. Para isso, os pesquisadores avaliaram 2.067 indivíduos sem demência, sendo 839 homens e 1.228 mulheres com idade média de 76 anos. Do total dos participantes, 232 eram diabéticos e 1.835 não eram diabéticos.

Para a inclusão no estudo os participantes tiveram pelo menos cinco medições de glicemia e/ou de hemoglobina glicosilada (HbA1c) ao longo de dois ou mais anos antes da entrada no estudo. Os pacientes foram convidados a retornar em intervalos de 2 anos com a finalidade de identificar os casos incidentes de demência.

A média de acompanhamento dos pacientes foi de 6,8 anos. Nesse período, 524 participantes desenvolveram demência, dos quais 74 eram diabéticos e 450 não tinham diabetes. Entre os participantes sem diabetes, aqueles com glicemia média de 115 mg/dL apresentaram maior risco de desenvolvimento de demência do que os participantes com os níveis de 100 mg/dL (p= 0,01).
Entre os participantes com diabetes, os níveis mais elevados de glicose sanguínea (190 mg/dL) também foram relacionados a um risco aumentado de demência (p= 0,002), quando comparados com indivíduos que tinham os níveis médios de 160 mg/dL.

“Com o envelhecimento da população, a demência tornou-se uma grande ameaça à saúde pública mundial. A taxa de obesidade também está aumentando, com um aumento paralelo de indivíduos com diabetes. Os resultados dos estudos que avaliaram a associação entre obesidade ou diabetes e o risco de demência ainda não eram conclusivos”, comentam os autores.

“Estes dados, portanto, sugerem que níveis mais elevados de glicose podem ter efeitos deletérios sobre o envelhecimento cerebral. Com isso, nossos resultados sugerem a necessidade de intervenções efetivas, que possam contribuir para a redução da glicemia elevada”, concluem.
Fonte: NutriTotal

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17 julho, 2013

Se quer dormir melhor, apanhe sol

Um novo estudo analisou a qualidade do sono de 49 trabalhadores de escritórios – 27 que se sentam em espaços sem janelas e 22 que têm janelas nas suas áreas de trabalho. Aqueles em sítios com janelas tiveram uma média de mais 173% exposição à luz natural durante o horário de trabalho e dormiram uma média de mais 46 minutos a cada noite do que os seus colegas. Ou seja, os que apanharam mais sol dormiram melhor.

Os trabalhadores que recebem mais luz solar tendem também a ser mais activos fisicamente, de acordo com o estudo. E uma análise adicional da qualidade de vida sugere que essas pessoas são também geralmente mais felizes, revela o Treehugger. Os trabalhadores de escritórios sem janelas revelam mais doenças físicas e menos vitalidade, tal como menor qualidade do sono.

A luz solar é essencial para obter vitamina D, importante em muitos aspectos da nossa saúde. Se trabalha num local sem acesso a luz natural, tente apanhar algum sol logo de manhã, por exemplo.

A luz do sol no início da manhã ajuda a definir correctamente o ritmo circadiano. Algo tão simples como uma caminhada pela manhã ou ir de bicicleta para o trabalho pode ajudá-lo a dormir melhor à noite. Tal como apanhar um pouco de sol à hora do almoço.

Não é preciso nenhum estudo que nos prove que é fundamental passarmos mais tempos nos nossos ambientes naturais para melhorarmos a saúde, mas se estava à espera do pretexto ideal, aqui está ele.

Fonte: GreenSavers - Angola


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15 julho, 2013

Série de exercícios intensos seduz com ideia de boa forma em sete minutos

RODOLFO LUCENA
DE SÃO PAULO

Folha de São Paulo

Conquistar o máximo de resultado com o mínimo de investimento é o sedutor apelo de uma série de exercícios que vem ganhando fama na internet recentemente.

Trata-se de um programa desenvolvido por dois especialistas em treinamento do Human Performance Institute, de Orlando (EUA), voltado para quem tem pouco tempo e não está disposto a investir em academia nem em equipamentos de exercício.

Depois de analisarem uma série de estudos sobre treinamento e boa forma, Brett Klika e Chris Jordan publicaram na edição de maio/junho da revista técnica "Health & Fitness Journal" um artigo apresentando um tipo de treinamento de "alta intensidade" com "uso do peso corporal".

Além de explicar a base científica do plano, o estudo propõe combinar exercícios aeróbicos (como corrida no lugar) com exercícios de resistência/força (como flexão de braço). Cada um é realizado por 30 segundos, em alta intensidade (tentando o máximo possível de repetições), e o intervalo de recuperação é de apenas 10 segundos.

Noves fora, o pacote todo dura apenas "aproximadamente sete minutos", conforme o texto descreve. O circuito pode ser repetido duas ou três vezes, dependendo do condicionamento do atleta e do tempo disponível.

Foi o que bastou para ser apelidado de "treino científico de 7 minutos" em texto no "New York Times" e, a partir dali, em uma fieira de lugares, do internético "Huffington Post" ao britânico "Daily Mail", e em publicações especializadas em boa forma.

Há vídeos gratuitos mostrando como executar a série e aplicativos com cronômetros digitais para monitorar a execução da tarefa.

Não se trata, porém, de uma série para prover força ou resistência específica para um esporte, destacam os autores: "Esse tipo de programa oferece uma boa opção para ajudar pessoas ocupadas a melhorar a saúde e enfrentar o estresse".

Monitorado pela treinadora Vivian Casagrande, 37, mestre em bioquímica do exercício pela Universidade de São Paulo, testei o pacote. Para garantir que eu fizesse os exercícios o mais rápido possível, Casagrande cronometrava as sequências e, nos intervalos, me avisava qual seria o exercício seguinte.

A primeira constatação: não é um circuito de apenas sete minutos. O tempo mínimo, no papel, é de sete minutos e 50 segundos, mas basta piscar ou pensar na morte da bezerra para que a transição dure mais que dez segundos.

Levei dez minutos e 20 segundos para completar a sequência, sem conseguir uma boa execução. Isso porque a série inclui alguns exercícios unilaterais; devem ser executados uma vez com cada perna, o que aumenta o tempo do circuito.

CONTRAINDICAÇÕES
Mesmo assim, entrar em forma com um programa de exercícios de menos de 15 minutos que não custa nada é altamente sedutor. Há, porém, diversas contraindicações, como assinalam os criadores do circuito: "É preciso cuidado ao propor treinamento de alta intensidade para pessoas mais velhas ou obesas, candidatos destreinados, com lesões anteriores ou problemas de saúde; os exercícios isométricos não são recomendados para quem tem hipertensão ou problemas cardíacos".

Para Casagrande, os exercícios, "são muito complexos para serem feitos sem orientação e supervisão". No teste, por exemplo, tive trabalho para fazer direito o exercício que combina flexão de braço e rotação do corpo.

O próprios autores alertam: "Ao tentar fazer tudo da forma mais rápida possível, o aluno corre o risco de fazer os exercícios de forma inadequada, aumentando a chance de lesão". De um jeito ou de outro terminei a série com os músculos pulsando, o corpo suado e a boa sensação de ter o dever cumprido.